Como Surgiu o Blues

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter

O Blues é um gênero musical marcante originado por afro-americanos no sul dos Estados Unidos em torno do fim do século XIX. Se desenvolveu das tradições musicais africanas, canções de trabalho afro-americanas, spirituals e música folclórica, de modo que as incorporou em seu estilo, além das tradições de canto de campo, ring shout, chant e baladas narrativas simples e rimadas.

“Blues”, em inglês, é sinônimo de melancolia. Blues shuffles ou linha de baixo reforçam o ritmo de transe e formam um efeito repetitivo conhecido como groove.

Blues é caracterizado por suas letras, linhas de baixo e instrumentação. Os primeiros versos tradicionais de blues consistiam em uma única linha repetida quatro vezes. Foi apenas nas primeiras décadas do século XX que a estrutura corrente mais comum tornou-se padrão: o padrão AAB, consistindo de uma linha cantada sobre as quatro primeiras, sua repetição nas quatro próximas e, em seguida, uma linha de conclusão mais longa sobre as últimas linhas. Os primeiros blues muitas vezes tomavam a forma de uma narrativa livre, relacionando frequentemente os problemas experimentados na sociedade afro-americana.

A História do Blues

O nascimento do Blues ocorreu na África no final do século XIX pela influência os cantos religiosos tradicionais no país e passada de pai para filho. Nos EUA o Blues sempre esteve profundamente ligado à cultura afro-americana, especialmente aquela oriunda do sul dos Estados Unidos (Alabama, Mississippi, Louisiana e Geórgia), dos escravos das plantações de algodão que usavam o canto, nas chamadas “worksongs”, para embalar suas intermináveis e sofridas jornadas de trabalho, as quais são uma das origens dos “blues” (Blue também é a cor que sinestesicamente significa tristeza na cultura norte-americana, por isso surgiu o termo “let’s sing our blues”). São evidentes tanto em seu ritmo, sensual e vigoroso, quanto na simplicidade de suas poesias que basicamente tratavam de aspectos populares típicos como religião, amor, sexo, traição e trabalho. Com os escravos levados para a América do Norte no início do século XIX, a música africana se moldou no ambiente frio e doloroso da vida nas plantações de algodão. Porém, o conceito de “blues” só se tornou conhecido após o término da Guerra Civil quando sua essência passou a ser como um meio de descrever o estado de espírito da população afro-americana. Era um modo mais pessoal e melancólico de expressar seus sofrimentos, angústias e tristezas. A cena, que acabou por tornar-se típica nas plantações do delta do Mississippi, era a legião de negros, trabalhando de forma desgastante, sobre o embalo dos cantos, os “blues”.

 

O Blues de Chicago

 Nos anos 40, começa um período intenso de migração do delta do Mississippi para Chicago, que já ocorria há alguns anos, porém de forma mais escassa. A população negra do sul dos Estados Unidos, procurando fugir da repressão e das condições precárias de vida que lá encontravam, viram em Chicago um lugar para novas oportunidades. Os músicos de Blues que, por essa época, chegavam em grande número a Chicago, encontraram a eletricidade na música, o que possibilitou uma gama enorme de novas possibilidades e os permitiu alçarem voos mais altos com sua música. Talvez o grande nome dessa nova fase tenha sido o de Muddy Waters, o primeiro a eletrificar todos os instrumentos de sua banda. Com seu blues carregado, poderoso e intenso, Muddy Waters é talvez, junto com Robert Johnson, a figura mais influente e popular do blues americano, sendo o primeiro bluesman a ter seu nome reconhecido fora dos Estados Unidos. Essa última inclusive teve seu nome baseado em uma música de Muddy Waters, Rollin’ Stone. Waters compôs e/ou interpretou inúmeros clássicos máximos do blues como Baby Please Don’t Go, I Can’t Be Satisfied, Honey Bee e Hoochie Coochie Man, entre muitas outras. Sua importância no desenvolvimento do blues como gênero dominante no cenário mundial é tão grande que é necessário um capítulo à parte para descrever toda a sua obra.

Outro grandioso nome do Blues surgido nesse período foi Willie Dixon. Um dos poucos baixistas líder de banda do Blues, Dixon é considerado o “poeta do blues”, já que suas letras se tornaram hinos da cultura do blues. Sem dúvida é o mais importante compositor da segunda geração do blues. É dele a composição de um dos maiores clássicos, Hoochie Coochie Man, que se tornou famosa na versão de Muddy Waters. Entre outros clássicos estão You Shock Me, I Can’t Quit You Baby, Little Red Hooster (composição em parceria com Howlin’ Wolf), Spoonful e Back Door Man .

Não menos importante foi o nome de Howlin’ Wolf. Guitarrista e gaitista de origem, ficou famoso por sua voz rouca e de um blues bastante swingado. Definiu um estilo impossível de não ser reconhecido, que influenciaria de forma marcante posteriormente músicos como Eric Clapton, Jeff Beck e Stevie Ray Vaughan. Suas parcerias com Willie Dixon renderam verdadeiras obras primas, além de composições conjuntas. Destaques para The Little Red Rooster e Howlin’ For My Baby.

A guitarra elétrica se tornou unanimidade absoluta no blues, nesse período, porém nenhum outro nome consagrou tanto a guitarra solo como elemento central do blues quanto B.B. King. Influenciado diretamente por T-Bone Walker, outro virtuose da guitarra solo, B.B. King criou um estilo único e quase inigualável de frasear o instrumento, de forma pura e melódica como poucos conseguem. O seu vibrato tornou-se marca registrada, dando aos solos de guitarra uma forma quase verbal. Sem falar de seu vocal-tenor que muitas vezes se destacava mais que o próprio instrumento. Influenciando praticamente todos os guitarristas que vieram posteriormente, é classificado, merecidamente, como o “rei do blues”. De fato, blues e B.B. King hoje são termos quase inseparáveis.

Inevitável não citar a figura de John Lee Hooker, que se identificaria posteriormente pelo seu Boogie, e seu estilo falado de cantar, que se tornaria sua marca registrada. Porém sua importância no blues vai muito mais além do que apenas uma vertente adjunta. Além de ter sido um dos primeiros a eletrificar a guitarra no blues, John Lee Hooker foi o precursor do Blues de Chicago, antes mesmo de Muddy Waters ganhar renome e importância.

O Blues Britânico

Nos anos 60 e o Blues Britânico
Um dos momentos mais marcantes do blues foi a apresentação de Muddy Waters em Londres no início dos anos 50. Foi um marco, pois dali em diante o blues ganharia renome internacional e influenciaria o surgimento de novas vertentes musicais, especialmente o rock n’ roll. Logicamente Chuck Berry é indiscutível como iniciador do modelo rock, porém sua origem é absoluta no blues, ainda mais na música de Waters.Mas foi o reconhecimento do blues na Inglaterra nos anos 50 que alavancaria o nascimento de uma revolução na história da música ocidental.

Na Inglaterra, o blues elétrico enraizou-se durante uma aclamada turnê de Muddy Waters. Waters, desconfiado da tendência de seu público para skiffle, um blues acústico, mais suave, ligou seu amplificador e começou a tocar seu blues elétrico de Chicago. Embora o público tenha sido amplamente abalado pelo desempenho, o desempenho influenciou os músicos locais como Alexis Korner e Cyril Davies a emular este estilo mais alto.

A popularização desse estilo daria origem ao blues-rock.Bandas como Rolling Stones, Yardbirds e mais posteriormente Cream, Fleetwood Mac, Jeff Beck e Led Zeppelin teriam suas raízes totalmente fundadas no blues elétrico de Chicago. Talvez o grupo de maior importância no recém surgido cenário blues britânico tenha sido John Mayall and the Bluesbreakers, que além de ter grande influência no crescimento do blues dentro do país, foi a banda-alçapão de músicos que viriam a se tornar importantíssimos nesse cenário musical em ascensão, como Eric Clapton, que posteriormente viria a formar o Cream, Peter Green que sairia do grupo para ser líder e compositor do Fleetwood Mac, e Mick Taylor, que seria requisitado como guitarrista dos Rolling Stones.

E, com o reconhecimento mundial desses músicos, os nomes clássicos do folk-blues americano como Robert Johnson, Son House, Muddy Waters, Howlin’ Wolf, B.B. King e Taj Mahal passaram a ser referências diretas. Foi no Newport Folk festival de 1963 que o blues teve seu auge, com a apresentação de diversas figuras consagradas do estilo. Daí em diante praticamente todos os músicos dos mais diversos estilos provenientes do rock e blues regravaram clássicos antigos. O Led Zeppelin, em seu primeiro álbum gravou uma série de composições de Willie Dixon, porém incluindo como autoria própria, o que resultaria em uma batalha judicial, que obrigaria a banda a identificar Dixon como autor original.

Na América, os efeitos foram diretos, e músicos como Creedence Clearwater Revival, The Doors, Bob Dylan, Janis Joplin e Jimi Hendrix desenvolveram seus estilos próprios fundamentados nas raízes do blues. Internamente, nomes como Albert King, Freddie King e Buddy Guy, iniciaram uma mudança na sonoridade do blues, juntando elementos típicos do rock, a guitarra distorcida e pesada, com o som tradicional, o que levaria alguns puristas a rejeitarem essa nova “moda” que contrariava o purismo tradicional da música.

Blues no Brasil

O Blues no Brasil possui certa popularidade, algumas das bandas de rock com maior sucesso comercial no país possuem grande influência de blues como Raul Seixas, O Peso, Legião Urbana, Barão Vermelho e Velhas Virgens. Menos conhecidos mas não menos talentosos são as bandas e músicos de blues nacionais como Zé da Gaita, Blues Etílicos, Celso Blues Boy, Fernando Noronha, Fred Sunwalk, Igor Prado, Alex Rossi, Nuno Mindelis, Faiska, Solon Fishbone, Bebeco Garcia, Rodrigo Jaguaribe, Jefferson Gonçalves, entre muitos outros.

O Blues no Brasil vem ganhando mais espaçol, com importantes festivais anuais como o Mississippi Delta Blues Festival em Caxias do Sul no Rio Grande do Sul, o Festival Jazz & Blues de Guaramiranga no Ceará, o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival no balneário Rio das Ostras no Rio de Janeiro,o Ibitipoca Blues Festival na cidade de Lima Duarte em Minas Gerais, MS Blues Festival em Campo Grande no Mato Grosso do Sul e o Festival de Blues Internacional de Ribeirão Preto em São Paulo.O gênero possui certa popularidade no Brasil, algumas das bandas de rock com maior sucesso comercial no país possuem grande influência de blues como Raul Seixas, O Peso, Legião Urbana, Barão Vermelho e Velhas Virgens. Menos conhecidos mas não menos talentosos são as bandas e músicos de blues nacionais como Zé da Gaita, Blues Etílicos, Celso Blues Boy, Fernando Noronha, Fred Sunwalk, Igor Prado, Alex Rossi, Nuno Mindelis, Faiska, Solon Fishbone, Bebeco Garcia, Rodrigo Jaguaribe, Jefferson Gonçalves, entre muitos outros.

No Brasil o Blues vem ganhando mais espaço, com importantes festivais anuais como o Mississippi Delta Blues Festival em Caxias do Sul no Rio Grande do Sul,o Festival Jazz & Blues de Guaramiranga no Ceará, o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival no balneário Rio das Ostras no Rio de Janeiro, o Ibitipoca Blues Festival na cidade de Lima Duarte em Minas Gerais, MS Blues Festival em Campo Grande no Mato Grosso do Sul e o Festival de Blues Internacional de Ribeirão Preto em São Paulo.

Deixe uma resposta

Optimization WordPress Plugins & Solutions by W3 EDGE